RALACOCO -  Rádio Laboratório de Comunicação Comunitária

coletivo

Uma Pergunta…

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Poderia estar falando sobre a Marcha que acontecerá amanhã na Esplanada Dos Ministérios.
Poderia estar falando sobre Elisabeth Teixeira (aliás, sempre devemos falar sobre ela)
Poderia estar falando sobre Rádio Poste.
Poderia estar falando sobre A participação dos Sem terrinhas…

Mas pergunto a você que está łendo este blog:

O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO QUE NÃO ESTÁ PARTICIPANDO DO V CONGRESSO DO MST?

Estudando?

Rapaz… (ou: Moça…) Não deixe a universidade atrapalhar seus estudos…

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“Perdemos muito tempo não se organizando via rádio.” Esta é a avaliação de João Pedro Stédile, que faz parte da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra durante o V Congresso desta entidade, que está sendo realizada esta semana em Brasília. Ele avalia que isso se deve a influência européia da Esquerda Brasileira, com base mais no trabalho intelectual do que no trabalho em comunicação. O terreno está sendo recuperado, segundo o coordenador, com os trabalhos em comunicação que estão sendo feitos a respeito em acampamentos do MST.
Stédile coloca que a questão de correlação de força na comunicação deve ser um dos fatores para encampar as lutas pela comunicação democrática. Nisso comparou com o caso venezuelano, onde o governo não renovou a concessão da RCTV.

O V Congresso Nacional do MST, com o tema Reforma Agrária: Justiça Social e Soberania Popular, está sendo realizado entre os dias 11 e 15 de junho de 2007 no ginásio Nilson Nelson em Brasília.

Ralacoco no Congresso do MST

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Durante esta semana (de 11 a 15 de junho) a Ralacoco estará cobrindo o V congresso do MST. MAs se você é menin@ Buchud@ e quiser de todo jeito ter informação a respeito jáagoranestemomento, clique aqui.

A Luta do Perdiz contra os dragões incultos

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Manifestação:
Próxima terça-feira, às 11h, em frente à Oficina do Perdiz!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O GDF quer dar um Xeque Mate contra o teatro de Brasília!
Chega de Jogo!

Já não basta o descaso histórico do GDF em relação à cultura.
Agora, mais do que nunca, eles parecem mesmo decididos a acabar com um dos mais importantes espaços culturais alternativos de Brasília!

BUNKER DE RESISTÊNCIA CONTRA A DERRUBADA DA OFICINA DO PERDIZ.

Compareçam! Divulguem!
Um Espaço como a oficina do perdiz (a tanto tempo injustamente perseguido pelas autoridades), não pode agora ser esquecido pela classe artística e pelos moradores de Brasília. Uma vez que sempre esteve e ainda esta, deforma generosa e genuína, de portas abertas para todos.

A OFICINA DO PERDIZ NÃO PERTENCE AO GDF

AGORA A COISA É SÉRIA!!!!!

Muito se falou sobre a derrubada da Oficina do Perdiz. Houve inclusive uma tentativa, exatamente no dia 11 de setembro, quando o mundo comemorava dois anos do atentado das torres gêmeas em Nova Iorque.
Graças à ação de algumas pessoas, não passou de tentativa, e a Oficina tem sobrevivido até então, tendo recebido vários espetáculos. E ganhou o prêmio de melhor filme na categoria documentário no último Festival de Cinema de Brasília.
Sexta-feira, às vésperas de receber José Celso Martinez, um outro José envolvido com a um outro Teatro Oficina, mas em São Paulo, o Senhor José Perdiz recebeu notificação do GDF para desocupar a área em cinco dias úteis.
Não podemos deixar que isso aconteça!!! Brasília só tem a perder com isso, pois a memória da cidade será jogada pelo ralo. E você pode fazer algo para ajudar a permanência da oficina no local onde se encontra. Passe essa mensagem para o maior número de pessoas que puder, inclusive para as autoridades do GDF ou federais.

BRASÍLIA É JOVEM E, COMO TODO JOVEM, TEM DE TER BOA MEMÓRIA! AJUDEM A CONSTRUIR A HISTÓRIA DA CIDADE ONDE VOCÊ NASCEU OU ESCOLEU PARA VIVER!
PELA MANUTENÇÃO DO TEATRO OFICINA DO PERDIZ!!!!

Gritando por um outro DF

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A Articulação do Grito d@s Excluid@s convoca a tod@s para uma mobilização amanhã, sábado, dia 21 de abril, contra a política implementada pelo Governo Arruda.

Coletaremos assinaturas contra a política de derrubada de casas e distribuiremos materiais das lutas nas cidades.

Todos aqueles que tiverem faixas e materiais, favor trazerem.

Concentração: a partir das 9h00, no estacionamento de baixo (virado para o eixo) do Teatro Nacional

Intervozes divulga contribuição ao Fórum de TVs Públicas

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O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação lançou dia 9/4, durante a apresentação do II caderno de debates do Fórum de TVs Públicas, no Rio de Janeiro, um documento com contribuições ao debate sobre a instituição de um Sistema Público de Radiodifusão. No documento de 25 páginas, o Intervozes apresenta uma proposta síntese da visão da organização sobre os principais obstáculos existentes hoje no país para a regulamentação do art. 223 da Constituição Federal. Trata-se de uma apresentação sobre princípios e objetivos, definição e organização, gestão, financiamento, conteúdo, direitos dos usuários e, finalmente, propostas para transição do atual modelo para um novo modelo que corresponda às definições da Constituição Federal. O documento indica uma série de políticas públicas para a efetivação desse sistema, o que implica na necessidade de mudanças no marco regulatório das comunicações.Confira o documento AQUI.

A entidade lançou neste mesmo dia o portal do Observatório do Direito à Comunicação no Brasil. Acesse o sítio pelo endereço: www.direitoacomunicacao.org.br

Grande Ato Público contra a violência racial

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retirado do site Irohin

Dia 04 de abril de 2007, próxima quarta-feira
12h no minhocão da UnB – Ceubinho

Manifestem-se conta o Racismo!!!
Reaja à violência Racial!!!

Carta de Apoio às(aos) Estudantes Africanas(os) atingidos pelo ataque RACISTA na UnB

No dia 28 de março de 2007, nós, população negra da Universidade de Brasília, fomos agredidos(as) mais uma vez. Numa ação terrorista, herdeiros e atuais representantes da opressão racial brasileira quiseram levar à morte dez de nossos irmãos e irmãs africanas e colocaram em risco a vida de outras dezenas de pessoas. Muito mais que um crime ou ato de vandalismo, houve uma ação coletiva pautada pelo ódio racial e a xenofobia bem presentes na cultura nacional. Não se trata de um ato isolado. Há anos os negros vivenciam isso no campus universitário da UnB, sem que uma ação efetiva e institucional tenha sido tomada. Após uma série de insultos, humilhações e ameaças, desta vez, o intuito era o de queimar pessoas negras vivas! Não podemos mais tolerar tamanha negligência. Corremos perigo e exigimos justiça!

De fato, a despeito do reverberado compromisso da UnB com o democracia e a proteção dos Direitos Humanos de combate ao racismo, muito pouco foi feito para barrar as ações de signatários dos valores e práticas da Klu Klux Klan e do Apartheid, que tranqüilamente atuam e circulam nas salas de aula e nos corredores do que deveria ser um espaço de produção do conhecimento e construção de uma transformação social.

Por uma decisão institucional, 28 de Maio se tornou o Dia da Igualdade Racial na UnB. Indiscutivelmente, o caso é chocante e repudiável. Mas e os pedidos de desculpas? Os estudantes africanos e toda a comunidade negra ainda estão esperando. Saibam, não há enfrentamento real de um problema sem o reconhecimento definitivo das mazelas que o alimentam. Por ser composta por professores, alunos e servidores que cotidianamente reproduzem o racismo institucional, a UnB precisa admitir sua cota de responsabilidade no que ocorreu. Caso contrário, apenas dará continuidade ao repertório de encenações hipócritas e farsantes de indignação contra o racismo – comuns ao chamado “racismo cordial brasileiro”.

A ação terrorista foi tomada como crime e assim registrada na Polícia Civil. Por que as vitimas não receberam Boletim de Ocorrência no ato da denúncia? Por que só puderam retirá-lo 24 horas depois? Os responsáveis não estão recebendo proteção além da necessária? Em ocasiões passadas, outras perguntas ficaram sem resposta. Repetimos não é a primeira manifestação de opressão racial contra o corpo negro na Universidade de Brasília!

Em 1989, os murros do Instituto de Artes (IDA-UnB) amanheceram gritando: “Morte aos Negros”, a universidade silenciou com uma “mão de tinta” branca. Em 1993, Terezinha, (mulher negra), ex-aluna do curso de Letras Francês e atualmente a conhecida moradora de rua, apresentou uma carta ao decanato de assuntos comunitários da UnB denunciando o racismo e o descaso da instituição para com os alunos negros e com os moradores da Casa do Estudante, maioria proveniente de famílias pobres e negras. A memória institucional não guardou esse fato.

Os vilipêndios continuaram assolando a comunidade negra. Em 2004, após a aprovação do sistema de cotas para negros, os banheiros do Pavilhão João Calmon revelaram várias manifestações de racismo, como: “2004: Cotas para negros! 2014: Bandidos, traficantes e estupradores com PhD”. No ano passado, mais demonstrações de racismo. De dentro da sala de aula, professores como Paulo Kramer, do Departamento de Ciência Política, e Thadeu de Jesus e Silva, do Departamento de Sociologia, manifestaram seus posicionamentos racistas contra negros. Gravações foram feitas, o Brasil foi informado dos casos, mas nem mesmo o afastamento preventivo desses foi cogitado. Nenhuma das situações relatadas foi tomada como prova concreta de casos de racismo na UnB.

Como era de se esperar nesse ambiente racista, onde mais desqualificante que ser negro é ser um negro africano, não tardou a aparecer nas paredes da moradia estudantil um comunicado junto com uma cruz simbolizando a morte: “Fora estrangeiros! “. Cabe ressaltar que as agressões foram dirigidas a africanos e não a qualquer grupo estrangeiro presente na Universidade. É fato, vivemos em um país racista! E mais, lutamos contra uma forma de racismo chamada por alguns de “sutil ou cordial”, mas que denominamos “sofisticada” , posto que inclui entre seus reprodutores não somente os indivíduos livres da discriminação direta, mas os próprios discriminados, que têm cotidianamente os laços de solidariedade intra-grupo sócio-racial rompidos e inviabilizados pela dinâmica racista. Dinâmica esta que alimenta, por meio da promessa da miscigenação, a crença de que quanto mais próximo ao ideal de branqueamento menos os indivíduos estariam sujeitos à discriminação e mais perto da integração democrática. Como acreditar nesse tipo de democracia? Impossível!

Nós do EnegreSer – Coletivo Negro do DF e Entorno, constituído há 6 anos como resposta a um ato de violência policial no “Centro de Comunitário” da UnB, e demais estudantes negros da UnB queremos prestar a nossa solidariedade aos nossos irmãos e irmãs africanas. MUITO MAIS DO QUE ESTARMOS MAIS DO QUE NUNCA JUNTOS, SOMOS JUNTOS, FAZEMOS PARTE DE UM SÓ POVO, AFRICANO E ORGULHOSO DISSO! Parceiros e cúmplices na luta contra a violência vivenciada e o descaso da UnB em assumir a sua parcela de culpa ao silenciar tantos casos de agressão e por não se responsabilizar pela ausência de ações suficientes para evitar que chegássemos a este nível de dor. O auditório da reitoria e as seis rampas lotadas de estudantes clamaram ao reitor: Peça desculpas! Timothy Mulholland disse que não reage a pressões.

Em conjunto, africanos e afro-brasileiros propomos a criação do Programa de Combate ao Racismo Institucional e lutaremos para que nossa voz seja ouvida e respeitada em todo o processo, que apenas começa! O Dia da África (25 de maio) vem aí! Em respeito aos nossos ancestrais, não admitiremos manipulações institucionais de esvaziamento de nossas demandas.

Para os que não são coniventes da violência e do descaso, levantem e lutem!Dia 4 de abril de 2007, quarta-feira próxima, às 12h no minhocão da UnB – CeubinhoAto público contra a impunidade dos atentados racistas!!!

Quem não estiver em Brasília se mobilize e se manifeste contra o racismo que não ocorre somente na UnB!!

RALACOCO RESPONDE !!!

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Um companheiro da RALACOCO foi entrevistado por Cristiane Barilli, estudante de Comunicação da Universidade Federal do Tocantins. O resultado da entrevista acabou se tornando um relato interessante e simples para quem quiser conhecer melhor a Rádio Laboratório de Comunicação Comunitária (RALACOCO-UnB).

1 – Porque a ralacoco é um meio de comunicação comunitária??

2 – Quais são os níveis de participação da comunidade neste meio? (gerência, interatividade, produção de conteúdos)

Vou responder as duas perguntas ao mesmo tempo. Por achar que ambas estão interligadas.

Primeiramente, devemos pensar se a Ralacoco é realmente um meio de Comunicação Comunitária. Como Radio Comunitária, penso que elas devem ser compostas por organizações da universidade, ligadas a movimento popular e da sociedade civil local-regional e servirem como voz e espelho de um amplo setor da comunidade Universitária que não tem como se ver e ouvir na mídia corporativa, sem inferência de dinâmicas externas. Para ver se isso funciona, teremos que responder a pergunta 2.

A comunidade não pauta a Ralacoco. Os raladeiros pautam a rádio. Alguns raladeiros se preocupam com o que está acontecendo na Universidade, chamam alguns professores, estudantes, técnicos administrativos e comunidade externa para darem entrevistas. Mas para além disso, nossa relação é pontual, não chega a ser orgânica com a Universidade. Apenas estamos localizados na Universidade, como poderíamos estar localizados na casa de alguém, por exemplo (mas que seria mais arriscado frentes os Aparelhos de Repressão do Estado).

Não há uma coordenação para construção de conteúdo. Quando digo isso, falo que não nos sentamos para discutir conteúdo, coletivamente. Se por um lado isso pode ser sintoma de uma diversidade, por outro pode ser sintoma de não nos aprofundamos o suficiente sobre o que é fazer rádio. Nisso, nos aproximamos, por um caminho diferente, das rádios comunitárias, pois há uma dificuldade de se construir um conteúdo cuja referencialidade é a própria comunidade. No nosso caso, não nos referenciamos na comunidade universitária, (talvez por não divulgamos a nós mesmos o suficiente na UnB). Um dos sintomas, às vezes positivos, as vezes negativos, é a variedade dos programas, que não atinge o “Universitário Comum” (Citando de memória temas de programas que já passaram na Ralacoco: programas Feministas (com clara favorável posição ao Aborto), Musica Judia, Música Clássica, GLBTT, Movimentos Sociais, Esperanto, Musica Gospel, Ritos Pagãos, Rock Alternativo, Questão Racial…)

Imagino que temos dois níveis de participação na Rádio, que são ligadas a “gerência”: O de “Chega, entra, faz o programa e sai”, e o nível de pertencimento organizativo.

No primeiro nível, Como o próprio nome diz, não há uma participação na Ralacoco além de uma passagem. Alguns chegam a participar da reunião da ralacoco (e passam a pertencer ao segundo grupos pela caracterização de pertencimento), mas outros apenas estão de passagem.

O nível de pertencimento organizativo é composto pelos que desenvolvem qualquer atividade organizativa da Ralacoco dentro de comissões. Vai desde venda de camisetas (e todo o processo, desde a confecção até a venda) até organização da programação, passando por reuniões periódicas de filosofia e planejamento da rádio. Tentamos horizontalizar ao máximo as decisões, por considerarmos que todos os membros da organização são igualmente importantes e tem direito a dar opiniões e sugestões para se tomar conscientemente as decisões. Tentamos não criar um núcleo dirigente, mas um coletivo que trabalhe as decisões em conjunto. Neste ponto temos uma clara dificuldade, por abstenção de parte d@s raladeir@s. E o coletivo dos que não se abstém acaba sendo um “Núcleo Dirigente” postiço.

Outro Ponto a ser discutido sobre se a ralacoco é ou não uma rádio comunitária, e que tem a ver com sua organização, e a referencialidade do fazer comunicação. De modo Geral, o referencial de Rádio utilizado é o comercial, onde não há um aprofundamento de pautas a serem abordadas, e tudo é falado unidirecionalmente, ou restringindo a comunicação em limites de quem tem o controle da comunicação (no caso, o apresentador do programa). Mesmo os que tem inclinação de tentar uma linguagem que fuja deste método tem dificuldade, pois estão dentro de um conceito de rádio como transmissão, mas não necessariamente dialogo.

Aí que está: uma rádio que se incline que os ouvintes façam parte do “fazer rádio” tendem a construir Dialogo, em que recebem resposta do que é falado, mas não necessariamente é do “radialista” a palavra final, nem o controle do Dialogo. Rádio é apenas um meio, em que a fala daquele que está no microfone não se mostrar superior daquele que, no momento não esta, mas cria possibilidades que dêem prova que acesssados os meios de produção, qualquer um pode comunicar. Ou seja, não existe a Liguagem certa, mas diferentes linguagens.

Vale destacar para nós que a “presença” do Ouvinte foi extremamente facilitada com o uso da Internet. Pode ser desde o Messenger, escutando via internet, ou até fazendo programa via Skype (na página da Ralacoco temos duas gravações do Ócio Criativo que ilustram bem esta idéia, sendo que a Mais antiga, apesar de problemas técnicos, tem mais claro este componente, visto que teve participação de Brasília, Taguatinga, Fortaleza e Espanha.). Aliás, ainda pensamos o que seria nossa comunidade, visto que potencialmente temos ouvintes em todo canto do Brasil e do Mundo. Mas é potencialmente pouco, pelo que acho.

Por tudo isso, nós não nos consideramos uma Rádio Comunitária, mas uma Rádio Livre com Princípios Comunitários, pela nossa (não) condição legal, e por nossa meta (que tem dificuldade de ser atingida, pelo que está colocado aqui) de organização da comunicação de quem não tem voz, E por não termos claro nem nossa busca do amparo legal nem de recomposição do tecido social. Como está colocado no segundo paragrafo desta resposta.

3. Que tipo de linguagem vocês utilizam?

Uma frase que de vez em quando utilizamos nos programas é: “Se nós conseguimos fazer programa de rádio, isto quer dizer que qualquer um pode…” Isto se reflete na linguagem, pois tentamos ser os mais inclusivos possíveis, apesar de nosso local de fala (universitários, de classe-média, maioria Branca e Masculina) restringir pra caramba. Mas ter consciência disso, e atuar para mudar é algo que é uma vantagem no nosso caso.

Não nos colocamos como superiores ao ouvinte nem usamos uma linguagem empolada, nem tentamos falar em um “português correto”, pois isto pode restringir o público e quem faz a rádio. Mesmo por que descobrimos na prática radiofônica, que esta é uma forma de humilhar as pessoas que não se adequam a esta posição. E que muitos dos que não falam o “português Correto” são excelentes apresentadores de rádio. E eles, com certeza, podem (e devem) ter um programa na rádio, falando do jeito deles. Se a rádio comunitária abrir espaço unicamente para aqueles que sabem falar o “português correto” então não vai ter ninguém para falar. E isso é uma forma de Democratizar a Comunicação, para que todos exerçam este direito.

Ah sim, uma característica da Ralacoco é o uso (e abuso) do bom humor. Tentamos não fazer o humor discriminatório com as minorias, mas sempre levar um pouco de irreverência no que fazemos. Temos ciente de que é uma forma de criar cumplicidade com @s ouvinte (eu avisei que era paradoxal… rs ), Além de criar uma visão diferente do assunto abordado. Muitas da transmissões gravadas na Página são sintomas desta questão.

Se você as ouviu, pode ver que temos dificuldade de sermos engraçados. Mas continuamos tentando…

4- Quando surgiu a ralacoco? Qual era a idéia inicial?

Existem várias histórias que precedem e que convergem com a criação da Ralacoco. Entre elas: o sonho ainda não realizado da UnB ter uma rádio Universitária (projeto que é da sua fundação); experiências anteriores de Rádio Livres e Comunitárias na e fora da UnB; Um histórico de Militância do MECom na UnB na questão de Democratização da Comunicação (o que coloca um diálogo (muitas vezes problemáticos) do CA de Comunicação da UnB com a ENECOS e com outros CAs, principalmente de Goiânia.); consequencia deste dialogo, a ida, em 2000, para o ERECOM Centro-Oeste; fora um ponto conjuntural que o Próximo Paragrafo vai explicar.

No segundo semestre de 2001 a UnB (e praticamente todas as Universidades Federais) entraram em greve. A Associação de Docentes da UnB (ADUnB), como atividade de greve, organizou a Rádio Comunitária na UnB. Um grupo de estudantes, a maioria membros do então comando de greve na UnB, se reuniu em torno da idéia. Na verdade, a rádio era “apenas” mantida pela ADUnB, e tocada pelos estudantes. No fim da greve, chegamos a ocupar o ‘estúdio’ e colocar no ar uma programação que agrupava os gostos musicais da galera e experiências de debates coletivos (rodas de 10, 15… 20 participantes) sobre temas dos mais diversos.

Chegou 2002, e algumas transformações aconteceram. A greve terminara, as aulas recomeçavam e o ritmo da universidade ia voltando. O ‘estúdio’ (uma sala de aula ocupada durante a greve) teve de ser “devolvido” a um professor do Desenho Industrial. Os equipamentos foram devolvidos à Abraço.

A rádio voltava ao mundo das idéias. Mesmo assim, a galera passou a se reunir semanalmente para reinventar a rádio. Eram reuniões que se discutia a programação de uma rádio que não existia, mas com o fervor de “vamos em frente” que isto já parecia um detalhe.

Entre janeiro e abril, articulamos o empréstimo de um transmissor de baixa potência (10 Watts). A então gestão do CA de Comunicação da UnB cedeu uma sala que funcionava como depósito, que se transformou em novo estúdio. Montamos a antena no teto do Minhocão. Criou-se na Faculdade de Comunicação na UnB a Disciplina Comunicação Comunitária para oficializar a Rádio, nos moldes da Rádio Magnífica em Goiânia, que tivemos oportunidade de conhecer no ERECOM realizado na UFG no ano anterior. E, na primeira semana de abril, fizemos nossas primeiras transmissões do nosso atual espaço. As pessoas foram se interessando e, boca-a-boca, a rádio ganhou adept@s e sua primeira grade de programação.

Uma expressão que me vem a mente sobre nossas idéias sobre a rádio no começo é o “Fazer Na Tora”. Não sei se há equivalente aí em Palmas, mas diz quando algo é feito no impulso, sem pensar nas consequencias. Apesar da Conjuntura ter chamado o ato de fazermos rádio, julgo que apenas de dois anos para cá começamos a pensar sobre a idéia de transmitir idéias num meio de comunicação, e qual a finalidade deste meio. Isso depois de muitos avanços, mas que não tinhamos um foco definido. O Próprio fato de nos reinvidicarmos uma “Radio Livre com principio Comunitários” não quer dizer muita coisa. Mas na época de iniciar a rádio, o fato de transmitir já era algo bom, sem pensar no que estavamos transmitindo. O que em certos momentos continua atualmente na ralacoco, mas não como opção do Coletivo mas como opção pessoal das pessoas.

5- O que a ralacoco significa pra vc? E como tu avalia a produção e recepção do conteúdo??

Tirando o programa Bate Papo Nada A Ver, que é o programa coletivo da Ralacoco, nossa produção de conteúdo é feita de maneira individual, de programa para programa. Não temos uma ligação entre os programas. Um fato que implica que não discutimos coletivamente o conteúdo da rádio (algo que já foi respondido aqui, quando apontei a semelhança com o que acontece com as rádios Comunitárias). Comparando, é como a seleção de futebol na Copa, que são uma coletivo de craques, mas não necessariamente um time coordenado. E isso se reflete na produção e recepção de conteúdo.

A produção não é maior pela simples falta de raladeir@s, que só está começando a diminuir agora, fim do ano. Qualitativamente, vejo que ainda temos excelentes programas, melhores que os exibidos nos Monopólios de comunicação. Isso por que atualmente não somos tão ousados como em outros momentos, imagine se fossemos!!!!

Voltando a Fragmentação da programação, agora no sentido da recepção. Temos um publico fiel de programas, mas não um público da Ralacoco. Por mais que saibamos que tem sempre alguém ouvindo a Ralacoco, criamos pouca interação com o Público. Interação que ocorre durante o programa, mas não é da rádio. Aí fica difícil saber que as pessoas acham da rádio, já que a visão é parcial, e não total.

Sobre o que a Ralacoco significa para mim…

A minha Caminhada Política dentro, e agora fora da universidade tem como foco a democratização da Comunicação. E muito dos contornos observados desta luta foram construídos no desafio coletivo (ou nem tanto) e diário de por no ar esta rádio. Pois partes das dificuldades é discutir comunicação num pólo alternativo do que aprendemos na universidade. Outro é transmitir e pensar no processo de fazimento da rádio.

Uma das experiências mais ricas que tenho é sobre ver os olhos de quem tem a timidez de falar no microfone desenvolver o poder de fala. Esta construção do ser como protagonista de uma ação, quando se percebe aquela certeza do “eu posso”. Que o ser para a permanência se torna o Ser para a Mudança. E que mudar é possível (e necessário) para um mundo melhor. Faz ver que vale a pena lutar para que a Comunicação não seja um direito para as proprietárias dos meios de comunicação, mas algo coletivizado.

Enfim, que há espaço para uma nova comunicação possível. E a Ralacoco pode ser um deles.